domingo, 2 de junho de 2013

Alentejo




 (Imagem de Alentejo, Portugal)

Explodem nuvens no céu da minha boca
E há estrelas flutuando em meu estômago
Sucumbem delírios em tensa libertação
Quando se pergunta a uma formiga
Qual o motivo de tanta felicidade
Não espere ouvir vozes do além
Apenas o tilintar de taças inescrupulosas
A boca do estômago da formiga
Me devora solene
De quando em quando uma abelha
Um beija-flor, um gato, uma iguana
Não espere escutar cânticos celestiais
Se anjos apenas sibilam ventanias
Entregue-se... renda-se!
Não há ruflar sem souvenir
Cicatrizes súbitas rompem a pele parda
Estrondam as duras sinas de tantos mins
Há cheiro de sangue em minhas cascatas
Ah, como odeio escrever-te, formiga...

Álly

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