terça-feira, 15 de abril de 2014
há dias em que há um estremecimento de poros e regiões temporais...
há dias em que a repetição se torna intolerável...
mas há a leveza das cores entre a luz e os intervalos da luz...
há esse prisma que não vemos ao certo, apenas tocamos com a ponta da língua esticada...
há esta quase elevação que só alcançamos de joelhos e mãos postas por sobre a terra.
As nuvens caminham interminavelmente no céu
[eu penso em abrigar-me no teu inverno]
Sobre as nossas cabeças uma procissão de nuvens
[quando encontrarei o esplendor de tua face?]
As nuvens correm... lentamente
[descubro que em ti esperar é um chamado]
Elas começam a chorar... as nuvens
[em tuas mãos me embalas como a um recém-nascido]
Minha alma chuvosa, prima de nuvens
[teu inverno me sussurra histórias antes de dormir]
descobri que a tua beleza é um sufoco chamado ausência
e que tuas cores são apenas sopros da luz
e que a tua luz se forma das lágrimas dos teus olhares
não há maior afago neste mundo do que tuas mãos doando carícias
nada se sente, suspeita-se
suspeita-se que há um convite
suspeita-se que há uma presença
suspensa, a vida insiste
mesmo debaixo desses escombros em que a gente tropeça
de dentro pra fora... há uma melodia que se insinua
ouvirão, mas arrancar-lhe-ão as orelhas
cantarão, mas cortar-lhe-ão as línguas
fugirão, mas amputar-lhe-ão os pés
se fores capaz de continuar
saiba:
houve amor em ti
há dias em que acordar se torna um sacrilégio
é no mundo dos sonhos que encontro tuas pegadas
enquanto me embalas infinitamente
sigo de olhos vendados o teu perfume
ontem me veio um passarinho pousar
na borda dos meus cílios
cada piscada era um canto de passarinho
agora sei que há um ninho em meus olhos
em que tu gostas de adormecer
em meus sonhos sempre há rastros de flores
perfumes longínquos
agora sei
tu passaste por aqui
Amanhã há uma cortina meio rasgada
A outra metade continua escondida
Achei que caminhando encontraria
Mas é deixando- se levar
Que contemplamos a aurora
...............
Imagino assim teus passos : caminhando como caminha a aurora
Sem passos... uma espécie de rolamento
Não há pés nem dedos
Transmutação, metamorfose de borboleta
Uns passos onde não há passos
Não se vê, não se toca
Encontro
Descoberta desespero sofreguidão
Fito a aurora todos os dias
Teus passos
Em meus sonhos adormecida
sábado, 22 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Eu escrevo porque todos os dias um anjo com as mãos em chamas ardentes esmaga meu coração e me mata. Cansei de morrer todos os dias. Então, escrevo. Eu escrevo para resgatar as asas que me roubaram. Escrevo para anunciar que meus olhos estão à venda, posso até trocá-los pela vista de um par de nuvens. Escrevo porque não sei escrever. Então escrevo. Escrevo porque há árvores na minha janela, e há vento, há céu, e há solidões; essas árvores foram outrora plantadas nas margens dos rios que correm em minha alma. Escrevo porque um dia alguém sussurrou palavras inauditas em meus ouvidos. Então, fiquei surda, por isso escrevo. Foi esse teu silêncio que me ensurdeceu. Observo um pássaro alçar voo, não lhe escuto o som, há apenas o bater de asas mudas. Escrevo porque não tenho mais o que fazer, eis-me inútil, recusei-me a produzir, neguei o convite para ser a distração de muitos, já não canto, não abro os olhos para a contemplação do mundo. Apenas escrevo aquilo que não sei.
Houve um tempo em que eu me sentava para ouvir as tuas histórias
olhava atenta o movimentos de teus lábios
espantava-me com os teus enredos
cada encontro era uma descoberta
e assim tu me tecias em teu seio
hoje vejo
que eu não percebi o relógio parado no alto da torre
as teias de aranha adornando os cantos escuros
não percebi que os teus cabelos iam se embranquecendo enquanto se passavam os dias
meus olhos estavam fitos nos teus lábios
e eu não percebi que nunca houve voz
que era apenas o teu silêncio a tocar canções dentro de mim
Assinar:
Postagens (Atom)











